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a perspicácia da metáfora
ROSA OLIVEIRA
POESIA
N.º 39/40
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a metáfora perspicaz
vai pela rua fora
senta-se ao sol
está na hora de almoço
e a ementa é aborrecida
logo ela que tanto gosta de comer
(há quem diga que tem
o prazer todo na boca)
logo ela foi parar a uma terra onde
quase ninguém sabe comer
ali vivem lentamente
sem inquietações papilares
adormecidos à sombra
de um bucolismo serôdio
(porra de fonética)
à espera de ver cair
o próximo prémio literário
a próxima promessa
a não cumprir

nessa terra de cenário
sem personagens
nasce a metáfora à procura
da breve embriaguez

 
 
Relâmpago n.º 39/40
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