A minha morte,
não ta dou.
De resto, tiveste tudo
a flor, a sesta, o lusco-fusco,
a inquietação do dia 8,
as órbitas das mães, das mãos,
das curiosas palavras de não dizer nadinha.
Tudo tiveste: estás contente?
Feliz assim
por teres tudo o que sou?
Feliz assim por perderes tudo o que sei?
Só não
te dou tudo o que não serei.
Não, a minha morte não ta dou.
De: Memória
Indescritível