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ERÓTICA LATINA
(UM DRAMA COM PÉS E CABEÇA)

MANUEL FERNANDO GONÇALVES
POESIA
NO Nº31/32
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Ainda ontem ia morrendo
debaixo de ti,
com falta de ar:
tu é que não percebeste,
tomas o suposto
pelo contado e esqueces
que sempre finjo no que sinto.
Eras tu, e sem querer,
a minha alma negra,
o que sempre fica por dizer,
o soco pungente
nos olhos quase cegos,
a argúcia do sangue
a ferver. Gelas a minha vida
e tens direito a isso:
ia quase morrendo
no amor da tua violência
e, vê lá, sempre tão distante,
cá estou a declarar
esta iníqua incompetência
de sentir.

 
Relâmpago nº31/32
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