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POESIA
NO Nº29/30
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Quebram na janela exposta folhas vivas
e três ou quatro ouriços de castanheiros.
O mundo desenrola-se sobre a azinhaga
que conduz a umas casas vagas, cascas
de nozes, barcos na poça de água, o silêncio
de inexistentes crianças, apenas os nossos nomes
musicais se assemelham, nuns gritos,
ao bulício que podia fazer disto uma terra
viva. Partes pedra. Amarela e riscada
de linhas prateadas, paralelas, mais perto
da rocha que do pó, pedra de delimitar
caminhos, pedra forte. Já te mostrei este poema
e a tarde foi-se, hei-de um dia esperar por ti
como quem espera pelas palavras, ou seja,
sem esperar delas absolutamente nada.

 
Relâmpago nº29/30
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